O Rei Midas

Transformador da Stock Car em principal categoria do automobilismo brasileiro, no final da década de 90, o paulistano Carlos Col assumiu a Truck em 2017, trazendo de volta os pesados para os holofotes das pistas brasileiras.

O paulistano Carlos Col, de 64 anos, é uma autoridade no automobilismo brasileiro. Ex-piloto da antiga Stock Car, que estreou em Tarumã em 1979 com os Opalões transformados quase artesanalmente, Col revolucionou a categoria no final dos anos 90, assumindo o comando e a transformando em principal do Brasil, atraindo a mídia televisiva e pilotos consagrados internacionalmente, além de contar com o pentacampeão Cacá Bueno, considerado por muitos como o melhor piloto de Turismo do país. Mas em 2017, Col deu outro passo para se perpetuar como a maior estrela dos bastidores do automobilismo nacional. Atendendo aos pedidos dos pilotos da Fórmula Truck, que viveu seu apogeu nas mãos do santista Aurélio Batista Félix, um ex-caminhoneiro e criador da grande categoria em 1996, morto em 2008, após sofrer um infarto na etapa inaugural daquele ano, em Guaporé, no Rio Grande do Sul.
Depois da morte de Félix, a viúva, Neusa Navarro Félix, decidiu dar prosseguimento ao trabalho genial de seu marido. Mesmo sem o comando forte de Félix, a Truck continuou nos anos seguintes a sua morte, no entanto, começou a definhar na segunda década deste século, chegando a ter um grid com pouco mais de cinco caminhões. Após muitas reuniões com as ex-equipes da Truck, Col decidiu formar outro campeonato nacional dos pesados, surgindo a Copa Truck, em 2017. Como em um passe de mágica – na verdade, pela atuação de Col e pela volta de quase todos os pilotos e as equipes da antiga categoria -, a Truck voltou a encantar e lotar os autódromos brasileiros.
No final do último fim de semana – dias 26 e 27 de outubro -, a Copa Truck teve a oitava etapa da temporada no Velopark, em Nova Santa Rita (RS). No programa, além dos pesados, desfilaram os bólidos da Mercedes-Benz Challenge e da Copa HB20, essa com quase trinta carros no grid. Tudo sob a batuta de Col, que conversou com a reportagem em um intervalo depois da primeira corrida da HB20, no sábado.
 
– Promotor das principais categorias do automobilismo brasileiro, como o senhor consegue dar conta de tudo?
Carlos Col – Boa pergunta. Sim, estou fisicamente em todos os eventos, mas tenho duas equipes. São duas empresas, uma cuida da Stock Car e as categorias que participam do show. A outra faz a mesma coisa com a Copa Truck e suas categorias, no caso, aqui, a Mercedes-Benz Challenge e a Copa HB20. Eu me divido entre os dois grandes eventos, sou CEO das duas empresas. É cansativo, mas tenho mais uns seis anos antes da aposentadoria e escolher um sucessor.
 
– Como está a Stock Car?
Col – Está em processo de mudanças, de renovação. Abriremos para novas montadoras (atualmente, só a Chevrolet está presente). Uma em 2020, outra em 2021. Mudaremos radicalmente o carro, o conceito do carro, para o próximo ano. Em vez do monobloco de fibra, usaremos a carroceria do modelo escolhido pela montadora. A base continuará sendo a atual, como chassi, suspensão e freios, de competição. Mas não terá mais o que é chamado de “bolha” imitando o design do carro de rua. E cada equipe fará a preparação e o desenvolvimento do carro.
 
– É quase uma volta ao passado. E os motores?
Col – Cada marca terá seu motor, mas com a especificação Stock Car V8. A montadora que entrará na categoria em 2020 já está trabalhando nos EUA com as especificações do motor da Stock.
 
– Como o senhor vê o trabalho da Federação Gaúcha de Automobilismo (FGA) nos eventos nacionais?
– Col – O trabalho da FGA é muito bom. Ela está realmente focada em fazer automobilismo, ela entende o promotor do evento como um parceiro e colabora no que o ele precisa, dando todo o suporte. Estou muito contente com o trabalho da Federação Gaúcha. O Estado tem quatro autódromos – como ninguém mais no país -. Na Stock Car, este ano, fizemos duas provas no Velopark e uma em Santa Cruz do Sul. Nossa intenção era fazer uma etapa em Tarumã.
 
– O Autódromo de Tarumã volta às competições nacionais em 2020?
– Col – Não sei. Depende da homologação da CBA e das obras que precisam ser feitas lá. Mas torço para que volte. (Os atuais boxes de Tarumã foram financiados pela Stock Car).

Por Daniel Dias / Foto: Divulgação