Com Tarumã nas veias

Engenheiro mecânico e piloto, Rodrigo Machado, de 39 anos, assume o próximo triênio na presidência do Automóvel Clube do Rio Grande do Sul, dono de um dos circuitos mais tradicionais do Brasil.

Dono do Autódromo Internacional de Tarumã, circuito quase cinquentenário e que já viu em ação Emerson Fittipaldi, José Carlos Pace, Nelson Piquet, Ronnie Peterson e Carlos Reutemann, entre outros nomes mundiais, além de consagrados pilotos nacionais e os grandes corredores gaúchos, o Automóvel Clube do Rio Grande do Sul (ACRGS) tem um novo presidente, o gaúcho Rodrigo Machado, de 39 anos, engenheiro mecânico e piloto da categoria Superturismo. Machado assume o cargo máximo do ACRGS para o próximo triênio, tendo Arthur Caleffi como vice de Finanças e Paulo Hoerlle como vice de Patrimônio. No último sábado, dia 16 de novembro, Machado conversou com a reportagem da FGA após sair de seu carro no warm-up da última etapa da temporada.

– Qual é sua história no automobilismo, como piloto?

Rodrigo Machado – É bastante longa, apesar da pouca idade. Meu avô (João Machado) correu em 1960, foi um dos primeiros sócios de Tarumã. Meu pai foi sócio e conselheiro do Clube, correu na extinta categoria dos Opalas. Acompanho o automobilismo desde criança. Corro desde 1999, comecei na pista de terra, depois, vim para o asfalto e acabei me envolvendo com o ACRGS. Faço parte do Conselho há quatro anos e agora fui eleito presidente (Machado já ocupava o cargo interinamente desde a metade deste ano).

– Como está o ACRGS?

Machado – A gente está passando por uma reestruturação. Assim como a iniciativa privada, o Clube sentiu a crise econômica. Estamos tendo planos, mexendo na parte administrativa. A gestão anterior fez um ótimo trabalho, de vinte e quatro anos, então, estamos tentando manter o trabalho e aprimorá-lo. Fizemos uma renovação no Conselho e estamos dando uma oxigenada na gestão do Clube.

– E as finanças?

Machado – Sentiu a crise. Estamos com dificuldades financeiras. Com a queda no números de associados, iniciamos uma campanha no meio do ano e isso está se refletindo no aumento de sócios. Mas sem os eventos, a gente ainda não consegue fechar a conta no final do mês.

– As 12 Horas de Tarumã, o “Oscar” do automobilismo gaúcho, mudarão este ano. Elas estão voltando à tradição?

Machado – Sim. Só disputarão a prova neste ano os carros do Gaúcho de Marcas. Nos últimos anos, o grid das 12 Horas foi diminuindo bastante. Em 2018, tivemos menos de vinte carros. Para o Clube, é ruim, pois arrecada menos, tanto em bilheteria quanto em inscrições das equipes. Para o público, é péssimo, pois acaba vendo poucas disputas na pista. Este ano, procuramos inovar, criando um regulamento mais acessível, com aumento de carros no grid. Já temos mais de quarenta inscritos, e a tendência é de que fique em torno de cinquenta até a semana da prova (a corrida está prevista para a meia-noite do dia 14 de dezembro). O regulamento e os carros serão do Gaúcho de Marcas, sem a presença dos protótipos, que acabaram dominando a corrida nas duas últimas décadas mas também desvirtuaram a tradição das 12 Horas.

– Então, a tendência é de que os protótipos não voltem?

Machado – Neste ano, é certo que não. Se tudo ocorrer como esperamos para a edição do próximo mês, a tendência é de que o formato permaneça. Sem os protótipos, a participação dos pilotos e das equipes é financeiramente mais viável, além da disputada dentro da pista ser mais parelha. Nosso automobilismo é mais amador, o pessoal traz um mecânico amigo, procura equalizar da melhor forma. Estamos sentindo falta também do grande público, dos churrascos feitos entre famílias e amigos nas dependências do autódromo durante as doze horas da prova. Os protótipos são muito profissionais, muito caros, com profissionais capacitados para mexerem neles. Enfim, ficava muito distante da nossa realidade.

– Como está a questão da nova homologação da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) para Tarumã voltar ao calendário das provas nacionais, como a Stock Car e a Copa Truck?

Machado – O primeiro passo foi que solicitamos uma vistoria da CBA, com um engenheiro responsável pela segurança. Ele fez a vistoria na mesma época em que a Stock Car fez sua segunda etapa neste ano no Velopark (no fim de semana do dia 15 de setembro). Ele ficou de passar o relatório com as exigências da CBA. Com esse relatório em mãos, a gente verá se teremos condições para as obras a serem feitas. Mas como em 2020 Tarumã completa cinquenta anos de existência (em tempo, o circuito de Viamão só perde no Brasil para Interlagos, inaugurado nos anos 40), seria importante que voltasse a ter as competições nacionais, em especial a Stock Car. A gente fará todo o esforço para conseguir essa homologação.

– Quais são as principais obras a serem feitas?

Machado – São na pista e envolvem a segurança, como algumas mudanças na área de escape da Curva 9 (a última do traçado), com a colocação de um muro de concreto e a realocação dos pneus, e na Curva 1.

– E na infraestrutura?

Machado – Em um primeiro momento, a infraestrutura do autódromo não será problema para a homologação. A lista da CBA é maior do que a questão de segurança da pista. Mas a entidade nacional permitirá que as melhorias na infraestrutura sejam feitas depois. A prioridade da CBA e da FGA é com a segurança de Tarumã.

– Você é um apaixonado pelo automobilismo gaúcho, que se apoia principalmente pela paixão das pessoas envolvidas e do público. Como é para você chegar à presidência do ACRGS?

Machado – É um compromisso muito grande, porque a gestão anterior fez um belo trabalho, conseguindo deixar o Clube com as portas abertas até agora. Dar continuidade a esse trabalho e melhorar é um enorme desafio. Mas, ao mesmo tempo, gosto de desafios. O Clube é viável, e queremos fazer algumas coisas diferentes.

Por Daniel Dias