O símbolo da vitória das 12 Horas

 

Natural de Gravataí, Analino Sirtuli, ou simplesmente o Choka, de 50 anos, liderou o time do carro de número 8 nas 12 Horas de Tarumã e levou o Onix da Equipe Choka Racing a uma vitória histórica, pois neste ano a prova de longa duração mais importante do Brasil voltou a ser disputada apenas com os carros do Gaúcho de Marcas e Pilotos, sem os protótipos, que desde 1999 dominaram mas tiraram um pouco da tradição da lendária corrida.

Para a verdade ser mais cristalina, Choka fez bem mais do que ganhar no circuito de Viamão. O piloto – casado com Denice e pai de Andreza, de 24 anos, e Guilherme, de nove, já praticante do kartismo – e dono da mecânica ChokaCar, em Gravataí, deu as cartas durante todas as doze horas da longa e desgastante prova, seja ao volante do carro ou no comando da equipe e da estratégia a ser usada na pista. Primeiro, pilotou o carro nas três horas iniciais da corrida, depois de largar na terceira posição no grid, tratando de permanecer sempre entre os líderes.

O Onix amarelo – reconhecido à noite pelos dois filetes de luzes verdes nos dois lados da capota –, pilotado também por Marcos Silveira, Juliano Fantin e Jonas Simon, jamais deixou de ser protagonista das 12 Horas deste ano. Mesmo quando o carro parou na Curva do Laço e foi regatado com pane de combustível e queima da bomba elétrica, por volta das 7h da manhã, já sob a luz do dia, quando liderava. A competente equipe, porém, tratou de resolver os problemas rapidamente e devolveu o número 8 à pista com apenas duas voltas de desvantagem para o Celta de número 3 da Equipe Xtreme, de Fernando Doval Jr., Alexandre Schons e Paulo Ricardo Flores, que acabou sendo o segundo colocado no final, a 4 segundos do vencedor.

Choka resolveu voltar ao comando do Onix às 9h e só saiu do carro três horas depois para festejar a inédita conquista. A equipe, no entanto, viveria novos dramas antes do triunfo, com o rádio não funcionando e com a chuva nas dez voltas finais, que provocava a bandeira amarela e diminuía a diferença para seus perseguidores. Quando o rádio voltou a funcionar, a equipe enviou um recado curto e significativo: “Choka, você é o líder”. “Foi o que bastou. Já vinha correndo sempre com o pé fundo do acelerador. Daí pra frente, coloquei a faca entre os dentes e pisei até a bandeirada”, lembra o vencedor das 12 Horas.

Para Choka, ganhar a principal corrida do Rio Grande do Sul significa muito. “Para mim, vencer as 12 Horas é a realização de um sonho, pois é uma corrida lendária e histórica. Será também um orgulho para meus descendentes ser lembrado entre os melhores, isso vale mais que qualquer prêmio”, disse o piloto que começou no automobilismo nos Fuscas, em 1997, chegando em terceiro lugar na sua prova de estreia. Segundo Sirtuli, o novo formato das 12 Horas foi plenamente aprovado e deverá formar um grid cheio para a próxima edição. “Qualquer um dos 29 carros que largaram neste ano poderia ter vencido. E o primeiro lugar só ficou definido na bandeira quadriculada”, finalizou o campeão.

Em termos de resistência, o motor 1.4 da Chevrolet – igual para todos os carros – também provou ser um vencedor.

Por Daniel Dias / Fotos divulgação